O carioca

Ele é muito querido por todas as pessoas a sua volta. Todo mundo olha pra ele com admiração. Todo mundo quer ser amigo dele. Mesmo assim, ele me trata como se eu fosse o príncipe. Ele olha pra mim como se eu fosse a melhor coisa que já lhe aconteceu. Mesmo assim, mesmo que ele tenha uma história incrível de conquista.
Não me pede pra ficar, mas me mantem perto todo dia, porque ele é hilario. Ele me faz rir só ao me desejar bom-dia.
Todo mundo conhece ele como se fosse um Rei, mas ninguém sabe da delicadeza em seu olhar quando me encontra triste. Ninguém assiste o ritual que ele faz pra me manter confiante e esperançoso de que no dia seguinte vai ser melhor.
As pessoas sabem o quanto ele é agradável, mas não sabem como ele guarda a roupa no closet de maneira peculiar e engraçada. Esperam dele a perfeição, mas ninguém nunca pediu pra ele tirar o sapato. Isso faz dele mais humano e, por isso, muito melhor.
Ele não se irrita e nem levanta a voz pra ninguém que tenta lhe tirar a paz, age sempre com espirituosidade e amor, sempre carrega consigo uma aura plena. Mas quando alguém fala ríspido comigo, ele levanta a voz meio três oitavas.
Todo mundo acha ele lindo no vídeo, agora, imagina se vissem como ele aperta o olho direto até a metade da iris e levanta o lábio superior numa mistura de sorriso e dor quando fica constrangido.
Um dia fiquei com um sentimento de competitividade com ele, porque ele cozinha bem, é engraçado, desenha, faz trança, enfim, tudo que eu faço, ele parece que faz melhor. Então, ele pegou um pouco de feltro e fez um toy-art muito mais legal que eu o meu. Logo, me senti diminuído, só que percebi que ele me admira porque sempre enxerga o brilho nos meus olhos, porque sempre acha lindo o que eu faço, sem competir. Com isso, ele me fez ficar um pouquinho maior!
Ele disse no primeiro encontro que gostava de tudo que eu gostava: Sense8 e Sakura Card Captors, por exemplo, ou de maratona de séries durante a folga. Mas não consegue assistir um episódio inteiro de uma maratona que sugiro. Aí, a gente descobriu junto Rupaul, The OA e Stranger Things, somar é sempre bom!
Ele sempre se dispõe a ler o que escrevo.
Ele disse que era bom economizar nas compras dos móveis de casa, mas pediu uma king size sem saber se passava na porta, mesmo que nossa mesa de cozinha seja até hoje os pufes da sala. Falando em economia: a gente sempre sai pra jantar japonês, mesmo que mês feche no vermelho.
Ele vive de dieta sem emagrecer, mas eu o amo assim. Vai sempre a academia, mas não dispensa uma cerveja, isso me faz amá-lo ainda mais.
Ele é tão boa-praça que nunca demonstra ciúmes, faz café pra mim e cozinha pra galera. O tempero dele parece feitiçaria. Talvez, seja pelo misticismo inerente. Afinal, ele confirma sempre que era encontro marcado, nessa vida, isso que eu e ele vivemos. E toda vez que ele me abraça forte, reforça que estamos marcando encontro pra outras vidas, mesmo que eu diga que queria mesmo era não precisar voltar.