O Livro que Amou Celeste

Os olhos dela percorreram meu corpo em toda a sua extensão. Celeste era uma mulher comum, de altura mediana e lábios finos, mas tinha um jeito de segurar os óculos enquanto lia que me causava uma atração culposa. Eu não devia sentir aquilo por aquela mulher. Claramente, eu não demonstrava qualquer reação aos impulsos involuntários e conturbados que ela causava em mim num simples toque.
Evidente que eram toques inocentes e despretensiosos, contudo, o sentimento de atração vinha de mim, eu era quem sentia  estremecer o meu corpo num calafrio doloso, que, agora, consigo analisar com certa indulgência, entretanto, naquele momento o pecado era o meu companheiro mais relevante.
Minha primeira vez com Celeste foi dentro de sua casa, a mulher estava sentada na poltrona de leitura da sua sala, com charme fez um coque no cabelo, ajeitou os óculos, me olhou profundamente e mergulhou em mim, sua imersão foi tão significativa, naquele silêncio confortável eu soube:  amaria Celeste!
Isso mesmo! Eu sou um livro. Eu sou esse tal livro que amou celeste.
Meu nome é Moacyr Scliar A Mulher Que Escreveu a Bíblia, mas, pode me chamar de Moacyr, ou de Mulher. Só num me chama de Bíblia, porque fui vizinho de uma Bíblia durante alguns anos e ela era completamente abitolada e confusa. Toda aquela ansiedade densa, que dava pra cortar com uma faca, acabava com meu psicológico. Juro que eu tentava conversar com o Paulo, um livro muito atencioso e que tinha ótimas piadas quando a Bíblia falava asneira. Mas, ele quase num parava na prateleira, na época. As pessoas adoravam lê-lo, era o mais requisitado daquela biblioteca. Todo dia era: Cadê O Alquimista, já devolveram pra eu pegar? – Tomei ranço desse sobrenome de tanto que ouvi. Por isso que o chamava pelo primeiro nome: Paulo, de Paulo Coelho O Alquimista.
O discurso ínvido não foi um mecanismo literário, eu sou um livro realmente muito invejoso. Envenenava Paulo, às vezes, por puro rancor da quantidade de vezes que ele era escolhido, enquanto eu ficava intacto, como a expressão de uma escultura greco-romana. Não era raro quando eu soltava despretensioso: - Nossa! Mas te amassaram a orelha toda... tão acabando com você, Paulo... – No fundo desse discurso com tom paternalista existia uma vontade de atingir Paulo ao ponto de magoá-lo.
Essa amargura toda não vinha exatamente de Paulo. Ele era um livro bom, como eu disse muito divertido... e me salvava da insensatez de viver entre a Bíblia falando as insanidades dela e o fato de a Scliar – essa era da mesma linhagem que eu, ela era um outro exemplar de Moacyr Scliar A Mulher que escreveu a Bíblia. – que era sempre a escolhida pra empréstimo. A Scliar tinha uma cultura erudita fora do comum, portanto, nem conversava conosco nos períodos em que estava na prateleira. Ela era inatingível, Paulo era o pop star e que eu ficava, ali, por anos, ouvindo a Bíblia dizer que a humanidade criou livros masculinos e femininos e que misturar os dois é o maior erro da nossa existência.
A biblioteca municipal pegou fogo, eu era tão esquecido, que não fui atingido, infelizmente a Bíblia também não. Os livros que estavam emprestados foram doados para as pessoas que os tinham no momento, ou seja, a erudita Scliar, agora, tinha um humano e o pop star Paulo, imagino que deveria ser disputado no tapa por uma família grande.
Nós que sobrevivemos ao incêndio fomos parar em um sebo. Achei que as coisas iriam melhorar, mas era uma bagunça, eu fiquei no chão. Isso não me incomodou tanto quanto a Bíblia ficar em cima de mim. E em cima da Bíblia colocaram o Príncipe, um livro que gostou das insanidades da Bíblia e conversou com ela por horas. Mas ele foi comprado no mesmo dia que chegamos. Eu, naquele chão empoeirado e com o peso físico e metafórico da insana que me persegue desde a biblioteca, preferia naquele momento ter sido queimado.
Os meses se passaram e me tornei cada vez mais casmurro. Vivia temeroso de que minha existência se reduzisse a uma ínfima utilidade física, como não deixar a Bíblia tocar o chão.
Eu observava pés e pernas ostentando a benção da locomoção e desejava intimamente ser parte da humanidade, ser o criador, não a criatura num planeta super populoso e que portanto perdeu o seu valor essencial em meio a multidão.
Entenda: Todo mundo diz que cada humano na Terra carrega em si um universo único e particular, cada ser humano tem sua história e sua peculiaridade. Juntos, os seres humanos têm experiências similares em diferentes partes do planeta, cada um recebe e desenvolve essas experiências de acordo com suas capacidades reflexivas e a consciência de si. Entretanto, embora sejam tão desconexos quando se manifestam na realidade dos átomos, os seres humanos juntos conseguem prosseguir na corrente amalgamada da criação Universal, pois são criadores. Enquanto discutem suas diferenças e as melhores formas de transpô-las veneram o mistério de sua origem. Tanto quanto não sabem de onde surgiram, também não sabem que são deuses. Pois a minha origem, em desacordo com tudo que eu mencionei a cima, a mim não é um mistério!
Eu poderia dizer OS MEUS, mas entenda a humanidade como una e prossiga comigo: O MEU deus é a humanidade, a minha origem é o planeta Terra, sou um ser dual de matéria atômica, mas de energia invisível, vivo mais no plano das ideias, sou inerte, na realidade 3D do planeta Terra, um peso, que ornamentado, parece estar suspenso no espaço entre as coisas, no entanto, apenas é pressionado contra o globo. E, ali, onde quer que seja deixado, fica imóvel, impassível, aparentemente, sem utilidade, fixado numa existência vegetativa. E tal qual sei a minha origem, sei a minha missão.
Assim como cada humano na Terra carrega em si um universo único. Um livro também o faz. Cada livro tem sua história, sua peculiaridade, seu gênero. Todo mundo diz: Todo livro conta uma boa história – Mas quando dizem isso, falam sobre a nossa missão na Terra, falam sobre a história que contamos em palavras marcadas nas entranhas do nosso corpo. Essas palavras feitas por um humano que compartilha com os demais uma experiência, que será esmiuçada e absorvida por cada um que a ler de acordo com suas capacidades individuais. A nossa missão é unir os povos. Mas o que ninguém menciona é a historia que contamos de vida, a nossa experiência individual, personalidade e o como fomos atingidos pelas pessoas e coisas que atravessaram nossos caminhos.
Por exemplo, eu e a Scliar temos marcados em nossos corpos a mesma história. O que nos diferencia é a história que vivemos. Eu precisava, definitivamente, sair daquele sebo. Eu precisava me sentir vivo e cumprir a minha missão: unir os humanos numa mesma ideia.
Celeste, finalmente, veio ao meu encontro. Os saltos entraram fazendo barulho e eu ignorei. De repente a mulher começou a mexer em uma pilha de livros, no chão, que estava em frente a mim e a Bíblia. Celeste parou por um tempo, olhou ao redor, depois, agachada, apoiou as mãos sobre as coxas e forçou seu corpo para se levantar. Virou-se para mim e a Bíblia e eu senti  uma emoção imensa, até a Bíblia foi otimista nesse momento e gritou: - Caraca, Mulher, a moça tá vindo em nossa direção! – Agachando-se a nossa frente, Celeste buscou com as mãos delicadas a pilha ao lado, pegou um livro chamado Machado de Assis Dom Casmurro, soprou a poeira, ajeitou os óculos enquanto fitava o Machado e torceu o nariz como se desdenhasse dele.
Finalmente, ela voltou o olhar para a Bíblia, deu um leve sorriso e sussurrou para si mesma: - Essa a minha mãe vai adorar... – De súbito tomou o livro em suas mãos e finalmente me descobriu: - Meu deus! A Mulher que Escreveu a Bíblia! Eu estava louca pra ler.
- Vou levar os dois – Ela disse ao dono do Sebo.
- Pode pagar só pela Bíblia, eu te dou esse outro aí como brinde, devido sua presença constante aqui, dona.
“Esse outro aí”? “Brinde”? O que importa? Eu estava nas mãos de Celeste, agora! Melhor que isso? Tem!
Embora eu tenha seguido do sebo à casa de Celeste ao lado da Bíblia, que não parava de falar um segundo que, finalmente, seríamos felizes numa prateleira linda. Na casa de Celeste o melhor aconteceu: a mãe da moça morava na casa, então, Celeste entregou a Bíblia para a mãe, que por algum motivo comemorou muito e colocou a Bíblia numa mesa separada e com iluminação especial, velas aromáticas, símbolos religiosos e aberta. Cada dia ela deixava a Bíblia aberta numa pagina. A insana da Bíblia evoluiu do chão de um sebo sujo pra uma vida de magnata.
Diferente do que possa ter imaginado, eu estava muito contente! Celeste me lia repetidas vezes e eu ficava num criado mudo ao lado da sua cama. De certo, eu não tinha iluminação especial, velas, nem culto religioso pra mim. Mas podia dali, contemplar o sorriso leve de canto de boca que a expressão serena de Celeste tinha ao adormecer.
Ás vezes, ela dormia de óculos. Outras vezes, virava de um lado para o outro, desistia, olhava com profundidade e mistério em minha direção. Era como se despisse a minha alma e me revelasse. Como se dissesse através do olhar: - Moacyr, entregue-se às minhas mãos suaves e hiper-hidratas, com unhas de esmalte azul. Ceda a sensação de se abrir lentamente e o percorrer suave das páginas friccionadas pela gota de saliva no meu indicador. Eu vou atravessar a noite contigo, Moacyr, eu sei que você quer o mesmo!
Mas, quase sempre meus devaneios acabavam, ela logo pegava o celular e passava horas conversando com outra garota que ela chamava de Amor.
Tudo ia bem na minha relação de amor com Celeste. Até que um dia, ela me pegou sem muito decoro e me enfiou em sua bolsa. Entre os vários objetos inanimados que estavam, lá, como perfume, batom, pacote de biscoito, chaves etc. Havia alguém, fui colado a um livreto que chamava Pão Diário Vol.20 Capa Família. Acho que ele passou tanto tempo sozinho ali dentro que enlouqueceu. Tinha um jeito gaguejante de falar. Desisti de conversar com ele e só aproveitei a viagem.
Quando sai da bolsa já senti um certo pavor. Celeste estava num restaurante cheio de pessoas, a sua frente estava a Amor:
- É ele que eu tinha te falado. Pelo amor de Deus, cuida como se fosse seu e me devolva inteiro, amor...
Céus! Eu acabara de ser emprestado. Amor não era apaixonante como Celeste. Mas eu sou um ser inerte, sempre limitado apenas a observar o mundo a sua volta. E por isso, fui parar na casa da Amor. A casa era um pouco bagunçada, mas até tinha uma energia boa. Amor leu na minha folha de rosto o nome do sebo onde fui “comprado” escrito e o telefone de contato. Sorriu. E me jogou num pufe no meio da sala.
Um gato simpático apareceu e me cheirou com delicadeza. Um dos meus maiores defeitos é ser um comunicador por natureza. Então tentei puxar papo: - Oi, gato! Qual seu nome. – O gato deu um salto súbito para trás e me observou de soslaio. Retornou lentamente e levantou uma de suas patinhas branca. Fez um som que não entendi, portanto, perguntei: - Quê? – E ele me deu uma forte patada, girei numa velocidade fora do comum e parei sob uma estante da sala.
Pronto! Passei vários meses, ali, naquela escuridão soturna, acumulando uma poeira densa que deixava minha aparência cada vez mais lânguida. Foi um período de tão grande depressão que a saudade da Bíblia eclodiu em meu peito por diversas vezes. Meu coração estava em pedaços, queria Celeste de volta.
Meses mais tarde, num dia comum, ouvi a porta abrindo abruptamente, Amor chorava soluçante, tal qual uma carpideira bem paga. Dizia em voz alta, cadê aquele lixo, cadê aquela bosta... Ouvia os passos de Amor por toda a casa e a voz soluçante entre os berros do choro dizendo repetidamente: - Ela terminou comigo e a única coisa que falou é que queria aquela droga de livro de volta! – Era eu! Então entendi tudo, elas namoravam e, talvez, Celeste terminou com Amor, porque ela me queria de volta. Quando comecei a cantar a minha música da vitória. O rosto desfigurado pelo choro compulsivo surgiu sob a estante.
- Quer de volta? Ahhhhh, vai ter sim. Eu vou é jogar essa porcaria no lixo!
Dois dias num latão de lixo. Doze horas num caminhão de lixo que me revirou e me ensopou inteiro de chorume. E vinte dias num lixão.
Uma moça muito pobre me encontrou, ela sabia ler. Me levou para onde morava, se sentou. Analisou o que havia de errado comigo: em bom estado, embora alguns pedaços rasgados pelas garras do gato e algumas manchas do chorume. Mas, sobrevivi bem.
Fiquei preocupado, por preconceito acreditei que a moça fosse demorar meses pra me ler. Mas, Vitória, provavelmente era pobre por diversos outros fatores sociais. Na verdade, ela tinha boa instrução, me leu em uma hora e meia. Gargalhou, refletiu e se encantou por cada linha marcada em meu corpo. Ao fim, voltou a minha folha de rosto e disse em voz alta para si mesma, sem saber que eu a podia compreender, evidentemente: - Bom, esse livro já me modificou, acho melhor eu levá-lo pra esse sebo... afinal, ele vale a pena ser passado adiante.
Lá, estava eu, onde tudo começou. Vitória me carregou pelo salão do sebo até o balcão. Me entregou e disse que eu merecia ser lido por outras pessoas. O rapaz do balcão, um pouco intrigado, perguntou se estava tudo bem com ela, a julgar pelas roupas e a pele castigada. Ela tentou mediar o assunto, mas eles inflamaram uma conversa.
Enquanto o rapaz da livraria me levava para uma das prateleiras de exposição, Vitória ia contando a ele o seu sonho de se formar na faculdade. A mulher havia perdido tudo numa enchente. Não tinha família, os pais eram envolvidos com crime e logo que ela se formou no ensino médio, eles sumiram. Agora, ela estava sem teto e sem emprego:
- Acho que minha aparência assusta um pouco, quando vou pedir emprego...
- Você pode começar a trabalhar, agora mesmo, minha esposa vai te passar umas roupas... não é muita coisa, mas já é um bom começo.
E eu fiquei numa prateleira alta, fiquei de lado, ninguém me enxergaria facilmente. Se Celeste entrasse por aquela loja, jamais me reencontraria. O primeiro dia foi esperançoso, eu poderia ver minha amada, ela sempre frequentava o sebo. A segunda semana eu já estava desolado, acho que Celeste arrumou outro lugar para comprar livros. Ao fim do segundo mês, isolado naquela prateleira empoeirada ouvi a voz de Celeste, mas de onde eu estava, no ângulo em que ela estava, não pude vê-la.
A saudade foi me triturando, eu sentia as palavras se apagarem lentamente de mim com a angustia, sentia as folhas se amarelarem, era uma velhice precoce por tanto aborrecimento escoando para o meu coração amargurado. Eu estava sentindo falta da Bíblia, naquele momento, pois ao menos ela me divertia, me distraia com suas maluquices. Ao meu lado, naquela prateleira, havia apenas um livro muito velho, tão velho, que já não falava, devia ter se acostumado tanto a solidão, que achou por bem ficar calado quando me viu chegar, ali.
Depois de um ano, fui levado por Denise. Ela olhou pro alto e me viu, soprou a poeira e quando ia me abrindo:
- Esse livro eu tenho muito carinho! Eu ficaria com ele... mas acredito que a função dos livros é mudar a vida das pessoas, acho que contigo ele será melhor. Pode levar esse como presente. – Disse Vitória, a ex-moradora do lixão.
A função era essa de fato. Mas, eu não tinha mais forças para mudar e compartilhar com seres humanos. Eu queria familiaridade, queria ficar perto da Bíblia de novo, ouvir ela falando as asneiras dela. Ou mesmo ficar com o Pão Diário Vol.20 Capa Família, ainda que ele não falasse muito e demorasse a falar as coisas. O que me restava, era aceitar a vida com Denise, pois nasci para atingir pessoas. A história gravada em mim é que importa, não a que vivo.
Eu já estava completamente entediado, Denise já havia me lido diversas vezes. Me deixava dentro da mochila com alguns cadernos.
Numa noite de verão, ouvi a voz dela abafada pelo tecido da mochila, então, senti suas mãos me tocar e fui sacado para fora, enquanto eu era suspenso por sua mão no espaço entre as coisas, eu a ouvia dizer:
- Deixa eu te mostrar, eu tenho esse livro, olha! – E me virou em direção a pessoa com quem conversava.
Os olhos arregalados e as mãos sobre a boca aberta me comoveram. Eu estava cara a cara com Celeste. Minha amada me tomou pelas mãos e me abraçou. Ela realmente sentia falta de mim tanto quanto eu dela:
- Meu Deus, Denise. Eu amo esse livro. Queria tanto encontrar outro exemplar pra ter em casa.
Eu gritava: - me leva! – Mas era me vão, eu era só um objeto inerte. Voltei para a mochila de Denise.
Celeste e Denise tinham, além do fato de gostarem da história tatuada em mim, milhares de coisas em comum. Eu ouvia a conversa abafada pelo tecido da mochila todos os dias. Torcia junto a Denise para que as horas passassem e elas se encontrassem logo. Todo dia elas se viam, às vezes, um café, outras vezes, um cinema. Mas eu sempre estava por perto. Sempre como um parasita sugando Denise, roubando um pouco do amor de Celeste.
Eu já desconfiava e torcia muito, mas um dia, Denise esqueceu a mochila aberta e eu confirmei: um beijo entre Celeste e Denise selou o clarear das minhas dúvidas. Não era bem o que eu queria, queria mesmo era ser de Celeste e que Celeste fosse minha. Mas já a teria mais por perto doravante.
Outrora comungava com certa afeição com a humanidade sendo a progenitora da minha existência. Deleitava-me na satisfação de servir à humanidade com paternalismo pueril e cego. Entretanto, apelo pela modificação da história da minha existência: me oriundo de Celeste. É da chama ardente desse sentimento insano que sobrevivi até aqui. Embora eu tenha cumprido a minha missão de modificar a vida das pessoas, devo confessar que o fiz por insolência. A ataraxia dos dias sem Celeste não refletiam uma real ausência do meu amor. E como um livro covarde, abracei com felicidade a insensatez da inutilidade da violação da minha missão em prol de um amor romântico por Celeste.
...Denise me tomou e me levou de novo até a fronte de Celeste, eu torcia para que isso se tornasse costume:
- É pra você, Celeste! Esse livro nos uniu. E é mais importante pra você do que pra mim...
E essa foi a maior história de amor que já pude contar.
Assinado: Moacyr Scliar A Mulher que Escreveu a Bíblia.
               



  HUGO DALMMON